
76% dos consumidores receberam um limite de cheque especial automaticamente do banco
De acordo com a pesquisa da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e do SPC Brasil, 76% dos consumidores receberam um limite de cheque especial automaticamente do banco, e muitos o utilizam sem sequer perceber. Desses, 28% afirmam que nunca solicitaram a linha de crédito, o que contribui para um uso impulsivo e não planejado.
Para evitar a armadilha do endividamento recorrente, Merula Borges, especialista em finanças da CNDL, recomenda algumas estratégias:
- Desative o limite automático do cheque especial, retirando-o do saldo disponível na conta. “Isso ajuda a evitar o uso desnecessário e melhora a organização financeira”, avisa Merula.
- Reduza os gastos. “Se o consumidor já utiliza o cheque especial, o ideal é ir reduzindo gradativamente o valor disponível até conseguir eliminar essa dependência”, sugere.
- Monitore tudo. Segundo a especialista da CNDL, o uso de aplicativos de finanças pode ajudar. “Desde que sejam práticos e fáceis de usar. Além desse controle, se possível, reduza também o limite do cartão de crédito”.
- Não salve os dados. “Muitas pessoas acabam acessando o cheque especial por impulso. Para evitar isso, o ideal é adotar estratégias de autocontrole financeiro, como não salvar dados do cartão em sites de compra e evitar visitas frequentes a lojas online.”
O perigo da ilusão do “dinheiro extra”
O estudo da CNDL também revelou que 21% dos usuários acreditam que o limite do cheque especial faz parte da sua renda disponível. Essa percepção pode ser perigosa, pois o consumidor pode acabar gastando além do que pode pagar, caindo na chamada “bola de neve” do endividamento.
“O grande problema do cheque especial é que muitas pessoas não o enxergam como um empréstimo, e sim como uma extensão do próprio dinheiro. Como ele aparece automaticamente no saldo da conta corrente, isso gera uma falsa sensação de segurança, o que pode levar ao uso excessivo e dificultar ainda mais a situação financeira”, explica Merula Borges.
Para evitar cair na armadilha do cheque especial, a especialista recomenda:
- Solicitar ao banco a exclusão do limite automático: assim, o valor disponível não se mistura ao saldo da conta corrente.
- Utilizar outras opções de crédito mais baratas: “Se houver necessidade real de crédito, um empréstimo pessoal pode ter taxas bem menores do que o cheque especial”.
- Criar uma reserva de emergência: “Muitas pessoas caem no cheque especial porque não têm um fundo para imprevistos. Guardar dinheiro regularmente, mesmo que pouco, pode evitar essa dependência”.
- Monitorar os gastos regularmente: aplicativos de finanças pessoais ajudam a visualizar para onde o dinheiro está indo e a cortar gastos desnecessários.
O cheque especial não deve ser encarado como um complemento da renda mensal. Antes de utilizá-lo, é fundamental que o consumidor reflita sobre a real necessidade do gasto e considere outras alternativas menos onerosas. Planejamento financeiro e consciência de consumo são aliados poderosos para evitar o endividamento excessivo e garantir a saúde financeira no longo prazo.
Fonte: https://cndl.org.br/varejosa/cheque-especial-aprenda-a-evitar-essa-dependencia/